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  • Foto do escritorJoão P. Atallah

Chama a Bebel: longa que trata de questões ecológicas não se esforça para sair da superficialidade


O cinema tem sido usado como uma ferramenta de resistência política desde os breves anos que sucederam o seu surgimento. Passando por Sergei Eisenstein com seus retratos históricos sobre atos revolucionários e chegando até o cenário brasileiro com o Cinema Novo e sua estética da fome, que buscava denunciar a verdadeira imagem do terceiro mundo pelos filmes de Glauber Rocha, Nelson Pereira dos Santos, Ruy Guerra e muitos outros. Tudo isso sendo retratado a partir de uma ótica que negava em todas as formas um cinismo acerca da realidade, assumindo uma visceralidade política que garantia um poder crítico gigantesco contra o capital. Uma pena que o diretor Paulo Nascimento optou pelo lado cínico ao abordar esses assuntos complexos em seu último filme Chama a Bebel.


Podemos assumir que o diretor buscou um diálogo direto com o público mais jovem, isso não é difícil de perceber, porém, de certa forma, ele pareceu afrontar levemente a intelectualidade dos mesmos, pois a premissa ambientalista da narrativa se apresenta como uma proposta extremamente rasa, transmitida de forma bastante cínica e ilusória. Não apontando apenas para a superficialidade da história, o longa não se esforça em nenhum momento em tornar sua cinematografia algo que case com os temas abordados, soando como se Paulo Nascimento estivesse apenas gravando as cenas sem pensar no processo de decupagem, fazendo com que ele se pareça muito como uma web série mal produzida, não só em sua estética, mas também na abordagem de seus temas.


O filme até tenta ter consciência de classe, mas já disse anteriormente, todo esse discurso complexo que deveria ser tratado com uma certa seriedade acaba tratando o espectador com ingenuidade, mesmo que se trate de um filme infanto-juvenil, nada se justifica essa falta de maturidade temática a não ser uma noção de inferioridade intelectual para os mais jovens por parte do idealizador. Além disso, o filme peca demais em estabelecer uma conexão real e empolgante com seus personagens e sua trama, nem ao menos sentimos um carisma vindo da protagonista e de seus coadjuvantes. Com isso, toda a trama parece funcionar da forma mais rasa e constrangedora possível, sendo completamente incapaz de reconhecer sua superficialidade.


No fim, Chama a Bebel parece tratar seu público como incapazes de seguir uma história verdadeiramente real e complexa que lide com diferenças de classe, corporativismo desenfreado e políticas auto sustentáveis, buscando retratar tais temas com o mínimo de profundidade possível.

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