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  • Foto do escritorDavi Rocha

Duna, parte 2: o épico cinematográfico de Denis Villeneuve


Denis Villeneuve, ao retomar sua adaptação da épica obra de Frank Herbert, constrói um atlas visual para o universo de Duna que cativa os espectadores com uma narrativa visualmente deslumbrante e um enredo aprimorado. Comparado ao seu antecessor, o segundo filme não apenas mantém a qualidade visual impecável, mas também se destaca em aspectos como ação, lore e desenvolvimento de personagens.


Os efeitos visuais são bárbaros, com uma integração fluida entre elementos práticos e digitais. A escolha pela iluminação natural proporciona uma veracidade a obra que tem se ausentado dos filmes de ficção científica mais recentes. A intensificação da brutalidade nas cenas de ação,  a expansão do lore e ,especialmente, com a inclusão de elementos estéticos do renomado artista H. G. Giger, traz um tom único ao filme. 


O filme é permeado por dualidades e contrastes, enriquecendo a experiência  e aprofundando a compreensão do universo, desde a dicotomia entre a beleza natural e harmônica de Arrakis com suas cores quentes, até a atmosfera alienígena, artificial e fria dos Harkonnen, caracterizada por uma estética fascista. A dualidade também se estende ao fanatismo religioso presente na trama, levantando o questionamento de como, uma figura messiânica pode potencializar conflitos.


A construção de Arrakis como um lugar belo e perigoso, demonstra a simbiose harmônica entre os Fremen e o ambiente. A abordagem ambientalista e a exploração da cultura dos Fremen recebem destaque na sequência. A atuação excepcional do elenco, com Bardem e Zendaya se destacando no desenvolvimento da necessidade e ilegitimidade de uma figura messias , contribui para a imersão na narrativa, especialmente na representação do conflito e fanatismo religioso.


O planeta dos Harkonnen, notadamente influenciado pelo trabalho de H. R. Giger, remete aos primeiros filmes da franquia Alien, criando uma atmosfera alienígena única para o planeta natal dos antagonistas. Essa mudança de inspiração, anteriormente centrada nos concept art de Moebius, adicionou uma nova dimensão visual à narrativa. A atenção aos detalhes na fotografia, figurino e arquitetura reforça essa ambientação, tornando o mundo dos Harkonnen visualmente distintivo e fascinante.


No entanto, apesar dos méritos visuais e narrativos, alguns pontos merecem críticas. A falta de sensação de perigo para os protagonistas durante as cenas de ação, embora visualmente impressionantes, deixa uma lacuna emocional. Como fã do livro, a falta de exploração detalhada de certos elementos, embora pequenos,  pode gerar uma sensação de perda de profundidade e atrapalhar o entendimento da motivação de certos núcleos. Além disso, a especiaria e a importância do planeta Duna no universo não são tão bem desenvolvidas quanto esperado, deixando algumas perguntas sem resposta, especialmente em relação à ordem matriarcal, Bene Gesserit, e à importância de Duna para elas e para a economia daquela sistema.


Em suma, "Duna: Parte 2" é uma odisseia cinematográfica que contribui para elevar o padrão para adaptações de ficção científica. O atlas visual criado por Villeneuve é magnífico, mas a falta de exploração em certos aspectos pode deixar alguns fãs desejando mais profundidade e contexto político. No entanto, é inegável que o diretor entregou um épico visual que certamente permanecerá na memória dos espectadores.


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