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  • Foto do escritorDavi Rocha

Ferrari: uma jornada pelos altos e baixos do fundador de uma das maiores empresas automobilística


A adaptação do diretor Michael Mann do livro "Ferrari, o Homem por Trás das Máquinas" busca explorar os eixos de paixão, família e empreendedorismo na história de Enzo Ferrari, fundador da renomada empresa automobilística. A trama é marcada por diversas controvérsias e polêmicas, proporcionando um terreno fértil para a narrativa cinematográfica.


Do ponto de vista técnico, o filme se destaca pela formidável execução, desde a impressionante maquiagem em Adam Driver e Penélope Cruz até a inserção habilidosa de trechos de filmagens da época. As cenas de corridas, por sua vez, são um espetáculo à parte, com um jogo de câmeras que capturam as habilidades do piloto, transmitindo a dificuldade e o risco de pilotar em altas velocidades. A mixagem de som é cuidadosa e envolvente, destacando-se na criação de tensão, principalmente na corrida final em Mille Miglia.


 A dinâmica familiar, especialmente após a morte de Dino Ferrari, filho de Enzo e Laura Ferrari, e o desenvolvimento da relação extraconjugal de Enzo, são peças cruciais do componente familiar da trama. O destaque vai para a intensidade e força nos diálogos entre Adam Driver e Penélope Cruz, enquanto a relação com a funcionária Lina Lardi, interpretada por Shailene Woodley, embora importante, não recebe a mesma atenção.


No campo das atuações, Adam Driver entrega uma interpretação convincente de um magnata, pragmático, egocêntrico em público porém sensível em suas relações interpessoais e extremamente apaixonado pela corrida e seus carros. A narrativa habilmente transita entre momentos sérios e cômicos. Embora o roteiro, muitas vezes reduza a personagem da Penélope Cruz a uma esposa amargurada e ciumenta, a atriz consegue trazer toda a intensidade da personagem.


Entretanto, o longa não está isento de críticas. A falta de equilíbrio na distribuição entre os temas, especialmente a paixão por carros, o empreendedorismo, deixa pontas soltas e cria a sensação de uma narrativa que foi dividida em duas partes, sem a devida continuidade. A ausência de aprofundamento em detalhes cruciais, como o motivo do personagem principal ter largado a corrida,  a forma em que a Ferrari lidou com as repercussões do acidente de Mille Miglia e a construção da relação com a Fiat, reduz o potencial do filme.


Pontos negativos também incluem subplots pouco resolvidos, como o drama da mãe de Ferrari e a figura do jornalista no enredo, que não recebem desfechos satisfatórios.


Apesar disso, "Ferrari" entrega competência como um filme de corrida, com cenas empolgantes e uma produção que recria com maestria a atmosfera da época. Poderia, no entanto, beneficiar-se  de uma abordagem mais equilibrada, distribuindo de forma mais uniforme os temas abordados e aprofundando-se nos elementos apresentados.

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