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  • Foto do escritorAndré Luis Coutinho

GUARDIÕES DA GALÁXIA VOL. 3: Um respiro de criatividade que a Marvel estava precisando

Créditos: divulgação


Em 2014, o lançamento de Guardiões da Galáxia e seu sucesso posterior provaram que filmes de super-heróis não precisavam de grandes nomes reconhecidos como Homem-Aranha ou Batman para agradar ao grande público. Nove anos depois, muita coisa mudou dentro do subgênero, especialmente porque James Gunn – diretor dos filmes protagonizados pelos anti-heróis espaciais – tornou-se recentemente a mente criativa responsável pelo universo cinematográfico da DC, concorrente de sua antiga parceira Marvel.

   

Guardiões da Galáxia Vol. 3 surge então como a despedida de Gunn no chamado MCU (Universo Cinematográfico Marvel) e, de certa forma, como a despedida do grupo protagonista também. Pelo menos até anunciarem alguma ideia que possa trazê-los de volta sob outra autoria, né? Bom, despedida ou não, fato é que a nova obra de Gunn mais uma vez, assim como em 2014, acaba se tornando um respiro de alívio após um momento difícil do estúdio com o fracasso de Homem-Formiga e a Vespa: Quantumania e mantém a mão autoral que tanto impressionou no primeiro e até mesmo no divisivo segundo volume.

   

Focando em sua própria trama ao invés de querer construir expectativas para próximos filmes do universo, Gunn cria aqui o capítulo mais dramático e tocante de sua trilogia e, apesar de manter seu humor escrachado habitual, desenvolve no personagem Rocket um arco dramático potente que com certeza vai mexer com o público de diferentes formas. Porém, diferente do segundo capítulo (o qual eu realmente não gosto e considero até um equívoco do realizador), esse consegue equilibrar perfeitamente drama e comédia a partir das transições temporais entre passado e presente. E enquanto o filme de 2017 apresentava um grave problema de ritmo que desperdiçava o fantástico visual em prol de diálogos desinteressantes e piadinhas repetitivas, esse terceiro usa as piadas harmoniosamente dentro da ação, essa que por sua vez se desenrola em espaços inusitados e formalmente interessantíssimos, como a sede da tal Orgocorp – que apresenta um aspecto orgânico que rende momentos propositalmente nojentos – e a tal Contra-Terra idealizada pelo vilão principal, que conta com uma população de híbridos que encaixa perfeitamente no tom exagerado e levemente bizarro da obra.

   

Um dos pouquíssimos problemas do filme é mesmo o fato de ser um herdeiro do seu antecessor, já que o ponto que menos encaixa é aquele que serve para concluir uma trama de Guardiões da Galáxia Vol. 2. Entretanto, admito que nem isso me incomodou muito porque, aos poucos, Gunn insere o personagem Adam Warlock (vivido por Will Poulter) no tom certo do longa e até mesmo o encaixa de forma mais orgânica na narrativa, gerando alguns momentos bem legais com o personagem.

   

Guardiões da Galáxia Vol. 3 é um respiro de criatividade que o MCU estava precisando depois de sua apática Fase 4 (que começou com a série WandaVision e concluiu com Pantera Negra: Wakanda para Sempre), além de funcionar como uma despedida memorável e emocionante do diretor para o estúdio e também desse grupo estranho e desajustado que aprendemos a amar em poucos anos, chamado Guardiões da Galáxia.

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