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  • Foto do escritorAndré Luis Coutinho

Mergulho Noturno: a banalização da sugestão do horror sob uma má direção


Quando escrevi sobre A Freira 2 aqui no GlowPop, deixei claro como James Wan é um dos melhores nomes do terror frontal no cinema hollywoodiano atual e que, se dependesse de sua carreira como produtor, seria um nome ostracizado e até mesmo odiado. É impressionante como seus aprendizes (Michael Chaves, John R. Leonetti, Corin Hardy e, agora, Bryce McGuire) tentam a todo custo emular o estilo impresso em Invocação do Mal ou Sobrenatural mas jamais conseguem entender o que faz desses filmes tão interessantes: a dinâmica entre sugestão, criação de padrões e a quebra repentina destes. O terror da imprevisibilidade!


Aqui em Mergulho Noturno, o estreante Bryce McGuire trabalha com uma premissa inusitada (uma piscina assombrada) e a transforma na história de possessão mais "lugar-comum" do cinema norte-americano. Wan, nos dois casos supracitados, trabalhava com a câmera de forma criativa, contrastava a ameaça do horror com o bom humor de seus personagens e seus (melo)dramas pessoais, o que potencializava o temor causado pelas presenças malignas encontradas em seus filmes. Nesse caso mais recente, temos uma pseudo-progressão narrativa que abusa tanto da sugestão que anula o medo. São tantas, tantas e TANTAS cenas na piscina e não há qualquer consequência para os personagens a não ser alguns jump scares dos mais rasteiros. E pior: o diretor não tenta fazer nada além do básico, ou seja, usar o escuro para esconder uma aparição, usar cortes abruptos para assustar com uma aparição repentina e é basicamente isso o filme inteiro.


Há um momento (ou dois, talvez) no qual parece que o filme vai seguir por uma direção mais interessante com o conceito trabalhado mas, no fim, tudo se resume às mesmas resoluções simplistas de sempre, sem grandes consequências além do que já havia sido telegrafado lá no início. Nessas horas, eu sempre dou o exemplo de um dos meus filmes favoritos da vida: Tubarão, de Steven Spielberg. Só vemos realmente a criatura por meio segundo ao fim do filme; no resto, só temos uma barbatana e a trilha sonora de John Williams. Por que então temos medo daquilo que não vemos? Bom, o filme começa com a morte de uma adolescente, parte para a morte de uma criança na praia lotada... Basicamente oferece consequências suficientes para que, mesmo sem uma imagem, possamos construir a criatura na nossa cabeça e o quão amedrontadora ela é. A sugestão no terror, para funcionar, não deve se bastar em si mesma mas sim demonstrar alguma consequência para ser sustentada. Aqui, McGuire definitivamente não acredita nisso e acha que só vultos e escuridão e trilha sonora nervosa vão dar conta do serviço.

   

Cinema é ilusão, mas o ilusionista não pode achar que qualquer truque de mágica barato vai colar com o público, não é verdade? Mergulho Noturno é desastroso e nem a presença da talentosa Kerry Condon consegue salvar mais um protegido pífio de James Wan. Se ele tivesse dirigido isso aqui, aí teríamos outra história para contar, talvez até já começaríamos 2024 com um dos melhores filmes do ano...

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